SEXTA 18 NOVEMBRO, 21H30

CCVF

David Murray Octet Revival

David Murray saxofone tenor, clarinete baixo

Aruan Ortiz piano

Roman Filiu saxofone alto

Mario Morejón Hernàndez ‘El Indio’ trompete

Denis Cuni trombone

Mingus Murray guitarra

Brad Jones contrabaixo

Hamid Drake bateria

David Murray Octet Revival
Preço 15,00 eur / 10,00 eur c/d

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Uma das principais missões assumidas pelo Guimarães Jazz ao longo do tempo foi sempre a de apresentar ao seu público o maior número possível de músicos de jazz, permitindo-lhe assim uma amplitude de descoberta e conhecimento deste género musical difícil de atingir em eventos mais dogmáticos em termos estilísticos. No entanto, no decurso das suas três décadas de existência, a repetição de nomes foi-se tornando uma inevitabilidade, razão pela qual certos músicos acumulam presenças no festival, ou enquadrados em formações lideradas por outros artistas ou apresentando novos projetos. Este ano, esse estatuto é representado pelo saxofonista David Murray, presente pela primeira vez na edição de 2014 do Guimarães Jazz com o celebrado Infinity Quartet e um músico cuja carreira no jazz é, em múltiplos sentidos, um exemplo de como a longevidade musical pode ser alcançada por meio de uma atitude de permanente reinvenção e experimentação de diferentes formatos e idiomas artísticos.

David Murray nasceu e cresceu em Oakland, Califórnia, estado norte-americano onde iniciou os seus estudos na música sob a tutoria, entre outros, da sua própria mãe Catherine, organista, e que abandonou em 1975 para se estabelecer em Nova Iorque e iniciar uma carreira no jazz. Nessa cidade, Murray conheceu e começou a colaborar com inúmeros músicos de diferentes estilos e afiliações estéticas (de Don Cherry a Anthony Braxton, passando por Sunny Murray) mas, numa altura dominada pelo jazz de tendência de vanguarda, cedo se começou a perceber que, apesar da sua compreensão e respeito por essa corrente, a linguagem mais natural do saxofonista estava mais próxima do bebop do que do free jazz. Em 1976, David Murray funda o seu primeiro projeto como co-líder, o World Saxophone Quartet, ao lado de Oliver Lake, Hamiet Bluiett e Julius Hemphill e inicia uma fase de intensa atividade colaborativa com várias figuras influentes do jazz e do rock como, entre outros, Randy Weston, Max Roach ou a banda Grateful Dead, ao mesmo tempo que prossegue um trabalho de composição para cinema e teatro. Ao longo das décadas seguintes, Murray foi ficando progressivamente associado aos movimentos de fusão, world music e pan-africanismo, fruto de inúmeros projetos com músicos de distintas geografias, entre eles a banda Questlove Afro-Picks, que incluía o lendário baterista de Fela Kuti, Tony Allen, mas em paralelo a sua obra foi continuamente bifurcando em formatos e intenções muito destintas – como por exemplo o trabalho de reinterpretação e rearranjo da música de grandes compositores, como Duke Ellington ou Nat King Cole, ou a colaboração com nomes da música pop como a vocalista Macy Gray e o produtor de hip-hop Kanye West. Em anos mais recentes, a atividade artística de David Murray focou-se sobretudo no trabalho criativo em parceria com vocalistas e diferentes ensembles liderados pelo saxofonista, coadjuvado por alguns dos músicos fundamentais do jazz atual, como Jason Moran, Geri Allen ou Gregory Porter, entre outros.

Na edição de 2022 do Guimarães Jazz, David Murray revisitará o repertório do seu inovador Octeto, uma formação icónica do seu percurso na música, cuja formação incluía músicos de referência do jazz como Henry Threadgill ou Butch Morris e que é considerada por muitos críticos como um dos mais importantes ensembles das décadas de 1980 e 1990. A formação deste Octet Revival é composta por um alinhamento de músicos de diferentes proveniências geracionais e estéticas, incluindo instrumentistas do mais alto nível do jazz contemporâneo como o percussionista Hamid Drake ou o contrabaixista Brad Jones, permitindo assim um novo olhar “ecuménico”, citando as palavras do próprio David Murray, sobre o trabalho original de um compositor com um percurso de quatro décadas de exploração musical ao mais alto nível, condensadas em mais de cento e cinquenta registos discográficos.