QUINTA 17 NOVEMBRO, 21H30

CCVF

Manuel de Oliveira, Jorge Pardo, Carles Benavent & Orquestra de Guimarães

IBÉRIA

Manuel de Oliveira guitarras e braguesa

Jorge Pardo flauta e saxofone

Carles Benavent baixo elétrico

Miguel Veras guitarras

Quiné Teles bateria e percussão

Carlos Garcia piano e direção de orquestra

Orquestra de Guimarães

Manuel de Oliveira Ibéria
Preço 15,00 eur / 10,00 eur c/d

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O compromisso assumido pelo Guimarães Jazz no sentido do aprofundamento das suas ligações com a comunidade assume uma das suas formas mais visíveis na parceria, estabelecida desde há alguns anos, entre o festival e a Orquestra de Guimarães. Em 2022, o projeto que a ainda jovem formação orquestral vimaranense irá abraçar será a reinterpretação, sob a direção musical de Carlos Garcia, do álbum “Ibéria”, de Manuel de Oliveira, compositor e guitarrista também natural de Guimarães. Em palco, a acompanhar as guitarras clássica e braguesa de Oliveira, estarão, entre outros, dois músicos espanhóis reconhecidos internacionalmente, Jorge Pardo e Carles Benavent, ambos presentes na gravação, há precisamente vinte anos, de uma obra marcante do jazz de fusão com as raízes de música tradicional oriunda da Península Ibérica.

Um músico essencialmente autodidata, Manuel de Oliveira (1978, Guimarães) aprendeu a tocar guitarra com o pai e desde cedo procurou o contacto com outras culturas musicais centradas na guitarra, tais como o flamenco, a música sul-americana e o fado. Ao longo de um percurso de vinte anos como compositor, guitarrista e produtor, Oliveira foi o autor, entre outros projetos, do espetáculo de abertura da Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, no contexto do qual colaborou com Cristina Branco, Chico César e Rão Kyao, todos eles nomes influentes da música de expressão portuguesa, e marcou presença em alguns dos mais importantes festivais de música europeus. Em anos mais recentes, o trabalho de Manuel de Oliveira tem-se focado na criação para guitarra solo e em colaborações com a violoncelista Sandra Martins e o acordeonista João Frade.


Jorge Pardo e Carles Benavent são unanimemente reconhecidos como dois dos músicos espanhóis mais importantes do movimento de fusão do jazz com a música de raiz tradicional espanhola, em particular do flamenco originário da região da Andaluzia. Embora provenientes de dois centros culturais muito diferentes dentro do mesmo território, Pardo (saxofonista e flautista originário de Madrid) e Benavent (baixista natural de Barcelona) partilham não apenas a mesma afiliação geracional, mas também múltiplas afinidades musicais que os levaram a assumir vários projetos e relações comuns ao longo do tempo, em particular a cumplicidade artística com o mundialmente famoso guitarrista Paco de Lucía. Ambos instrumentistas de incontestável virtuosismo técnico, tanto Benavent como Pardo expressam pela sua música a necessidade de transcender cartografias, definindo assim uma identidade musical marcada pela confluência de identidades culturais, geográficas e musicais. A singularidade da voz artística de ambos permitiu-lhes construir uma carreira musical no circuito jazzístico internacional, materializada em relações criativas com nomes importantes da música contemporânea como Chick Corea, com quem Pardo colaborou extensivamente, e, no caso de Benavent, com Pat Metheny, Randy Brecker ou Gil Goldstein, entre muitos outros.


Carlos Garcia é um artista multidisciplinar; músico, compositor e professor com um currículo extenso e diversificado de colaborações com inúmeros nomes influentes da música portuguesa, oriundos de diversos territórios musicais, desde João Paulo Esteves da Silva e Pedro Moreira, para mencionar aqueles mais associados ao jazz, até figuras de referência em estilos como o fado, a pop, a world music e a música tradicional portuguesa. Em paralelo, Garcia compõe regularmente peças originais clássicas e escreve arranjos para diferentes ensembles.


Esta reinterpretação de “Ibéria”, duas décadas após a sua edição original, oferecerá ao público do Guimarães Jazz uma proposta musical singular que, centrada nas composições de Manuel de Oliveira, se destaca sobretudo pela capacidade de imaginar possibilidades de revitalização pertinente da música tradicional da Península Ibérica, hoje infelizmente muitas vezes reduzida a uma curiosidade antropológica, pela via do jazz contemporâneo.