QUINTA 11 NOVEMBRO, 19H30

CCVF

The Vijay Iyer Trio

Featuring Linda May Han Oh and Tyshawn Sorey

Vijay Iyer piano

Linda May Han Oh contrabaixo

Tyshawn Sorey bateria



Assinatura 4 concertos
45,00 eur

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Assinatura 3 concertos
35,00 eur

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Assinatura Integral
90,00 eur

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The Vijay Iyer Trio
15,00€ / 10,00€ c/d

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O concerto inaugural do Guimarães Jazz 2021 é um exemplo paradigmático de como a expressão multicultural, baseada no cruzamento de diferentes heranças culturais e musicais, se tornou, por razões de várias ordens que excedem em muito a dimensão puramente artística, a tendência dominante na cultura contemporânea. No caso específico do jazz, pode dizer-se que ele foi, em diversos sentidos, um dos percursores modernos de uma nova paisagem musical habitada por formas miscigenadas e núcleos complexos de memória universalizados pela moldura formal deste género musical, ela própria construída originalmente a partir da assimilação e fusão de sons estrangeiros entre si. No novo trio do extraordinário pianista Vijay Iyer, formado também por Linda May Han Oh e Tyshawn Sorey, dois excelentes músicos da cena jazzística nova-iorquina, os elementos culturais cruzam-se para dar origem a uma música polirrítmica e poli-harmónica que tenta sintetizar as forças da ordem e do caos envolvidas no tumultuoso processo de gestação de um novo mundo híbrido.

Apesar de possuir formação em violino clássico, o pianista norte-americano de ascendência indiana Vijay Iyer (n. 1971, EUA) é essencialmente um músico autodidata com um currículo educativo multidisciplinar que incluiu estudos em matemática, física, cognição musical e, finalmente, em composição e improvisação. Após ter decidido enveredar definitivamente por uma carreira na música, este pianista tem vindo a desenvolver ao longo das últimas décadas um corpo de trabalho notável enquanto compositor, improvisador e colaborador de nomes fundamentais do jazz e da música contemporânea tais como Roscoe Mitchell, Steve Coleman e, mais recentemente, Wadada Leo Smith. O percurso de Vijay Iyer é também marcado por duas relações artísticas epicentrais: no território mais estrito do jazz com o saxofonista Rudresh Mahanthappa e, numa outra órbita de expressão musical, com o produtor de hip-hop e poeta Mike Ladd. Nos anos mais recentes, Iyer tem-se dividido entre o trabalho de composição para filmes, concertos e peças de dança, e a criação musical pura, da qual se destaca o álbum em trio “Accelerando”, de 2012, o duo com o histórico trompetista Wadada Leo Smith, e, mais recentemente, o seu trabalho enquanto líder do seu sexteto. Músico eclético e cerebral, Iyer apresenta já uma obra que, nas suas múltiplas dimensões e intenções artísticas, se pode considerar uma das mais relevantes do jazz contemporâneo.


O projeto mais recente de Vijay Iyer é precisamente este trio em que o pianista é acompanhado pela baixista malaia Linda May Han Oh e pelo baterista norte-americano Tyshawn Sorey, e do qual resultou o álbum “Uneasy”, editado em 2021 pela prestigiada editora de jazz ECM. Neste seu segundo trabalho em trio, Iyer reúne composições originais suas criadas ao longo de vinte anos de trabalho, para além de duas reinterpretações de Cole Porter e de Geri Allen, e transfigura-as a partir do som particular criado por dois músicos que, além de orbitarem em universos musicais semelhantes, partilham um propósito comum de dissolução de fronteiras formais e exploração de espectros alargados de sentido. Tal como o título do álbum indica, a música deste trio soa inquieta e turbulenta como os tempos que a assombram, toldados por uma atmosfera implícita de ameaça, mas, no entanto, as suas energias malignas são eletrificadas em função da possibilidade regenerativa da criação do novo.