SEXTA 10 NOVEMBRO - 21H30

CCVF
The Andrew Cyrille Quartet
Andrew Cyrille, Richard Teitelbaum, Ben Monder, Ben Street – “The Declaration of Musical Independence”

Andrew Cyrille, bateria
Richard Teitelbaum, sintetizador, piano
Ben Street, contrabaixo
Ben Monder, guitarra

15,00 eur / 12,50 eur c/d

ASSINATURA 2ª SEMANA
30,00 eur
ASSINATURA 1ª SEMANA
40,00 eur
ASSINATURA GERAL
70,00 eur
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De descendência haitiana, embora nascido nos Estados Unidos da América, Andrew Cyrille (n. 1939) é atualmente considerado um dos mais influentes bateristas do jazz contemporâneo. Associado às correntes mais vanguardistas do jazz das décadas de sessenta e setenta do século passado, Cyrille é sobretudo conhecido pela colaboração com o incontornável Cecil Taylor, provavelmente o pianista mais importante do free jazz norte-americano. No entanto, uma análise do percurso do baterista, tanto enquanto líder de formação como sideman, permite-nos concluir que estamos perante um músico de grande visão artística e detentor de uma linguagem e estilo pessoais que lhe permitiram desenvolver um trabalho musical de enorme abrangência e solidez artística, a solo ou acompanhado por alguns dos mais relevantes músicos contemporâneos, tais como Walt Dickerson, Butch Morris e Bill Frisell, além do já mencionado Cecil Taylor.

Andrew Cyrille, nascido e criado em Nova Iorque, estudou música na prestigiada Julliard School, tendo tido como professor o baterista Willie Jones, que o apresentou ao lendário Max Roach. Após uma primeira introdução ao meio jazzístico da cidade, tocando com, entre outros, o trompetista Ted Curson, Cyrille é convidado para integrar uma das formações de Cecil Taylor, em substituição de Sunny Murray. A partir desse momento, formou-se uma prolífica relação de cumplicidade musical e artística entre os dois que durou mais de dez anos e deu origem a alguns dos mais inovadores álbuns de free jazz do século XX. Nesse período, em 1971 mais precisamente, Andrew Cyrille edita também o seu primeiro álbum a solo, intitulado What about?, no qual expressa uma abordagem concetual à bateria e uma idiossincrática identidade musical, caraterizada por um estilo espacializado e anguloso, fortemente influenciado pela música tribal Africana. Durante esse período, o baterista inicia também colaborações com o também baterista Milford Graves, num dueto de percussões, e com o saxofonista Dave S. Ware. Posteriormente, Andrew Cyrille prosseguiu um caminho profundamente pessoal que deu origem a alguns projetos colaborativos com nomes incontornáveis do jazz contemporâneo, nomeadamente com Carla Bley, Rashied Ali e Anthony Braxton, ao mesmo tempo que continuou a editar em nome próprio, em projetos como as bandas Maono, The Group e Trio 3 (ao lado de Oliver Lake e Reggie Workman), e em parceria com outros músicos, entre os quais a improvisadora suíça Irène Schweitzer.

A carreira de Andrew Cyrille foi recentemente, após alguns anos de semiobscuridade e relativo esquecimento, objeto de um processo de reabilitação por parte da crítica e do público especializado do jazz, em grande parte devido ao álbum “The Declaration of Musical Independence”, editado em 2016 pela reputada ECM e gravado por uma formação de músicos notáveis na qual se inclui o pioneiro da eletrónica Richard Teitelbaum, o contrabaixista Ben Street e o guitarrista Bill Frisell, (que, no entanto, será substituído por Ben Monder no concerto que apresentamos no Guimarães Jazz). Neste trabalho, o qual constituirá o tema principal deste espetáculo, Cyrille, um baterista com uma linguagem impressionista e textural, desenvolve uma música situada num ponto intermédio entre a música escrita e a improvisação, na qual são exploradas as dimensões atmosféricas e evocativas das composições, as quais são sublinhadas pela capacidade interpretativa dos extraordinários instrumentistas que o acompanham.

“The Declaration Of Musical Independence” constitui um exemplo da irredutível singularidade artística de um grande músico de jazz, singularidade essa que permanece, ao fim de mais de cinquenta anos de carreira, intacta, razão pela qual o título do álbum se investe de enorme significado simbólico: a música do futuro será independente, ou não será.